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A Polícia Civil de Roraima apresentou, na última sexta-feira (21), o resultado da perícia técnica sobre a morte do indígena Gabriel Ferreira Rodrigues, de 28 anos. O caso, que mobilizou lideranças indígenas e órgãos como CIR e FUNAI, indica que a principal hipótese é de acidente de trânsito seguido de desorientação em área de mata. Segundo o Instituto de Criminalística, cerca de 80% dos vestígios analisados reforçam a possibilidade de acidente.
Gabriel teria caído de motocicleta na rodovia RR-203 e, após o impacto, entrou em contato com formigas tucandeiras, conhecidas pelas ferroadas dolorosas. A dor intensa pode ter provocado pânico e desorientação, levando-o a se afastar da estrada e adentrar na mata, onde foi encontrado sem vida nove dias depois. Apesar disso, a hipótese de homicídio não foi totalmente descartada e segue sob investigação. O laudo, considerado complexo devido ao estado de decomposição do corpo, concluiu a causa da morte como indeterminada. As lideranças indígenas acompanham o caso e aguardam novos desdobramentos das investigações.
Saiba mais com Lauany Gonçalves
Foto: Arquivo pessoal
NOTA INSTITUCIONAL
JUSTIÇA POR GABRIEL FERREIRA RODRIGUES
O CONSELHO INDÍGENA DE RORAIMA – CIR, organização representativa dos Povos
Wapichana, Macuxi, Taurepang, Sapará, Yanomami, Ingarikó, Wai Wai, Yekuana e Patamona, do estado
de Roraima, amparado pelos artigos 231 e 232 da Constituição Federal de 1988, vem a público
manifestar-se acerca do Relatório Final do Inquérito Policial sobre a morte da liderança Gabriel
Ferreira Rodrigues, da Região Amajari.
Gabriel desapareceu no dia 1º de fevereiro de 2026, sendo encontrado sem vida no dia 10 de fevereiro
de 2026, às margens da RR-203, em circunstâncias que seguem causando profunda preocupação às
comunidades indígenas. Conforme registrado nos autos, sua motocicleta, o aparelho celular e as vestes
foram encontrados em local diverso, a cerca de 250 metros de distância do ponto em que o corpo foi
localizado, já sem camisa, sem calça e sem calçados, trajando apenas cueca e meia. Tais circunstâncias
reforçam a necessidade de completo esclarecimento dos fatos.
O CIR acompanhou as etapas da investigação em diálogo institucional com a Polícia Civil e a Secretaria
de Segurança Pública, observando o acesso às informações dentro dos parâmetros formais de
transparência.
Embora a conclusão investigativa tenha apontado, até o momento, para a tese de fato atípico, o CIR
entende que o histórico do caso e os elementos constantes do procedimento exigem cautela. Isso
porque, embora a linha principal adotada tenha sido a de evento não criminoso, a hipótese de ação de
terceiros não foi completamente afastada. Permanecem, portanto, dúvidas relevantes que impedem o
encerramento precipitado do caso.
Diante disso, o CIR buscará a análise dos laudos por especialistas independentes, reiterará o pedido de
atuação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, além de solicitar novas diligências periciais
para o completo esclarecimento dos fatos.
A justiça por Gabriel não é apenas um anseio familiar, mas uma demanda coletiva dos povos indígenas
de Roraima. Sua morte impacta profundamente nossas comunidades, especialmente a juventude
indígena, que perde uma liderança jovem em um cenário de insegurança e incerteza.
O CIR seguirá acompanhando o caso até que não reste dúvida razoável sobre as circunstâncias da morte
de Gabriel.
Justiça por Gabriel!
Pela vida e pelos territórios indígenas!
Roraima, 20 de março de 2026.
CONSELHO INDÍGENA DE RORAIMA – CIR

