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Falta de energia causa transtornos a moradores do PAE Lago Grande

Não é de hoje que famílias das comunidades Soledade e Terra Preta dos Vianas, localizadas no Projeto de Assentamento Agroextrativista – PAE Lago Grande, área rural no Santarém, reclamam de constantes interrupções de energia elétrica.

Nessas localidades a energia chega pelo linhão proveniente do município de Juruti, distante cerca de 70 quilômetros, instalado por meio do então programa Luz Para Todos do governo federal.

Inicialmente, grupos de geradores termelétricos abasteciam, além da cidade de Juruti, as comunidades rurais ao longo da rodovia Estadual Translago – a PA 257, até o Lago Grande, em Santarém. Nesse período a energia era instável e as falhas eram mais constantes. Porém, em agosto de 2023, Juruti foi conectado ao Sistema Interligado Nacional (SIN), e passou a ter energia mais firme. Em tese, as comunidades rurais também passariam a ter energia de qualidade. Não foi o que aconteceu, segundo informações de moradores.

Morador da comunidade Soledade, Serginaldo Viana relatou que os problemas não cessaram. Os problemas são diversos: queda de árvores sobre a rede elétrica, queima de transformadores, desligamentos de chave…

“Esse fato de falta de energia em nosso território é muito corriqueiro… A gente consegue enviar mensagem para a central (da Equatorial Pará) em Belém. Eles pedem conta contrato, CPF e nunca resolvem o problema definitivamente”, contou o comunitário.

Serginaldo relata que as famílias guardam alimentos na geladeira, mas acabam por perder grande parte, devido à falta de energia. Dependendo do que causa a interrupção, as famílias que estão próximas da rodovia chegam a ficar dois, três ou até mais dias sem energia. Já as localidades mais distantes, onde o acesso é mais difícil, ficam até 15 dias no escuro, segundo denunciou o líder comunitário.

Pelo menos duas equipes prestadoras de serviço da Equatorial estão no Lago Grande para atender situações de falta de energia, mas, na opinião dos comunitárias, o número é insuficiente, considerando o tamanho da área a ser percorrida pelas estradas de chão.

No mesmo território PAE Lago Grande, em Atodi – região do Rio Arapiuns – a falta de energia também provoca reclamação de moradores. Jucivaldo é presidente da Associação de Moradores da comunidade. Ele relatou que a energia chegou recentemente, e em menos de um mês de funcionamento, seis famílias voltaram a ficar sem o fornecimento, devido ao desligamento de uma das chaves. O líder comunitário disse que já passaram 15 dias e a empresa responsável pela manutenção não compareceu ao local para religar a rede elétrica.

“Esses moradores estão com 15 dias sem energia. E nós enquanto representante dos comunitário somos cobrados a resolver o problema. Já procuramos a pessoa que veio fazer o cadastro das famílias, mas a gente ainda não teve êxito nas nossas solicitações”, comentou Jucivaldo.  “A gente liga, manda mensagem de áudio, mas eles não retornam e não tomam providência”, é o que denuncia o presidente da associação, se referindo ao fato de não ter a quem recorrer lá mesmo na comunidade.

Já o comunitário Serginaldo Viana sugeriu que a empresa capacite e habilite moradores do próprio território para fazer a manutenção e para reestabelecer a energia num menor espaço de tempo, assim diminuiria o transtorno da população.

A especialista em energia Jussara Salgado, responsável pela implementação de infraestruturas comunitárias em comunidades ribeirinhas da região do Baixo Amazonas, pela ONG Projeto Saúde e Alegria – PSA, destaca que “o acesso à energia é essencial para melhorar a qualidade de vida, promover o desenvolvimento econômico e garantir direitos básicos. Ele permite iluminação, uso de eletrodomésticos, acesso à informação e melhora a educação e a saúde, especialmente em áreas rurais ou isoladas”. Ela acrescenta que “a energia também impulsiona o comércio local, facilita a inclusão digital e aumenta a segurança”.

De acordo com o Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA, 2020), cerca de 990 mil pessoas ainda não têm acesso à energia da rede elétrica na Amazônia Legal. No estado do Pará, essa realidade afeta mais de 409 mil pessoas, concentradas em áreas remotas.

Ainda de acordo com Jussara, a demanda por energia nas comunidades está em constante crescimento, mas os geradores não oferecem uma solução sustentável.

Até o fechamento desta matéria não tínhamos recebido manifestação da empresa concessionária de energia, responsável pelo serviço de manutenção da rede elétrica na região.

 

Reportagem de Raik Pereira

Foto: Site Idec