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Mudanças climáticas atingem mais rápido comunidades tradicionais da Amazônia

Rede de Notícias da Amazônia
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Mudanças climáticas atingem mais rápido comunidades tradicionais da Amazônia
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As mudanças climáticas não afetam todas as pessoas da mesma forma. Para comunidades tradicionais — como ribeirinhos, quilombolas e povos indígenas — os efeitos da crise climática chegam mais rápido e de maneira desigual. A luta por justiça climática atravessa o cotidiano desses povos e suas vozes estão no centro das soluções.

Alice Fernandes, moradora do Quilombo Pique da Rampa, em Vargem Grande (MA), relata como a instabilidade do clima interfere diretamente no plantio e na colheita de espécies nativas como Jussara e Buriti. “Hoje em dia a chuva já não vem como antigamente. Um ano vem cedo, outro quase nem vem. Já estamos em outubro e não colhemos nada ainda”, conta.

Rosalva Silva Gomes, do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), em Imperatriz (MA), aponta que o fogo e a falta de chuva têm reduzido drasticamente a produção dos cachos de babaçu. “Dependendo da intensidade do fogo, a palmeira pode ficar mais de dois anos sem parir”, alerta. O avanço do agronegócio e o desmatamento também afastam as comunidades das florestas, dificultando o acesso ao sustento e à renda.

Rosa Tremenbé, liderança indígena, denuncia o impacto direto do chamado “desenvolvimento”: rios secando, plantações enfraquecidas, animais desaparecendo e igarapés poluídos. “A chuva de veneno traz coceira, alergia, doenças. O agronegócio está nos tirando o direito ao território e isso abala nossos modos de vida”, afirma.

Às vésperas da COP30, que será realizada em Belém (PA), cresce a expectativa por representatividade dos povos e comunidades tradicionais. A pesquisadora Ane Alencar, diretora de ciência do IPAM, reforça: “Garantir os territórios dessas comunidades é fundamental para enfrentar os impactos das mudanças climáticas e assegurar a justiça socioambiental”.

A transição climática precisa ser justa. Isso só acontece quando inclui as pessoas e melhora a vida de quem já sente os impactos na pele. Para essas comunidades, lutar por justiça climática vai além da preservação ambiental — é uma luta por dignidade, memória e futuro.

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A reportagem é de Eanes Silva e Alice Pires Van Deursen

Fotos: Thomas Bauer e Eanes Silva