A remuneração dos jornalistas com carteira assinada varia de forma significativa entre os estados brasileiros. Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), elaborado com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), a pedido da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), revela que a remuneração média da categoria em 2025 foi de R$ 6.969,70, mas as diferenças regionais fazem com que esse valor oscile de pouco mais de R$ 2,5 mil a quase R$ 14,7 mil, dependendo da unidade da federação.
O Distrito Federal registra a maior remuneração média do país: R$ 14.670,10, mais que o dobro da média nacional. Na sequência aparecem Rio de Janeiro (R$ 10.234,40), São Paulo (R$ 8.997,90), Minas Gerais (R$ 7.217,40) e Paraná (R$ 6.565,90).
Na outra ponta do ranking estão Amazonas (R$ 2.552,10), Maranhão (R$ 3.010,80), Piauí (R$ 3.040,10), Rondônia (R$ 3.056,80) e Paraíba (R$ 3.089,50).
A distância entre o Distrito Federal e o Amazonas, por exemplo, chega a quase R$ 12,1 mil mensais, evidenciando as profundas desigualdades salariais existentes no mercado formal do jornalismo brasileiro.
Além das diferenças salariais, os dados mostram uma forte concentração dos empregos formais. Sozinho, São Paulo reúne 12.574 vínculos, o equivalente a 25% de todos os jornalistas com carteira assinada do país. Em seguida aparecem Rio de Janeiro (4.386 vínculos), Minas Gerais (3.612) e Distrito Federal (3.042).

Desigualdades regionais e concentração de empregos
Para a presidenta da FENAJ, Samira de Castro, os números revelam que o exercício da profissão continua marcado por profundas desigualdades regionais. “Os dados mostram que há realidades muito diferentes entre os estados, tanto em relação ao número de empregos quanto à remuneração. Isso reforça a importância da organização sindical e da negociação coletiva para reduzir essas desigualdades”, pontua.
Segundo Samira, parte dessas diferenças pode ser explicada pela concentração dos grandes grupos de comunicação, órgãos públicos federais e empresas nacionais em determinados estados, especialmente no Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo.
“Os maiores salários estão justamente onde há maior concentração de empresas de comunicação de alcance nacional, grandes assessorias e órgãos federais. Mas isso não significa que jornalistas dos demais estados tenham menor qualificação ou desempenhem funções menos importantes. É uma desigualdade estrutural que precisa ser enfrentada”, argumenta.
No Nordeste, Pernambuco registra a maior remuneração média entre os jornalistas com carteira assinada (R$ 5.256,80), seguido por Rio Grande do Norte (R$ 4.182,70), Bahia (R$ 4.108,90), Sergipe (R$ 3.725,90), Alagoas (R$ 3.673,50), Ceará (R$ 3.671,40), Paraíba (R$ 3.089,50), Piauí (R$ 3.040,10) e Maranhão (R$ 3.010,80). Apesar das diferenças entre os estados da região, todos apresentam remuneração média inferior à média nacional, que éde R$ 6.969,70.
Estados com pisos salariais menores aparecem entre os que têm remuneração média mais elevada porque, segundo Samira, eles concentram menos trabalhadores empregados. “Como a remuneração média é a soma dos salários de contratação de todos os jornalistas empregados com carteira assinada, dividida pelo total de vínculos do estado, há essa falsa impressão de que a categoria ali ganha mais”, argumenta.
Para a FENAJ, o levantamento reforça a necessidade de políticas de valorização profissional, fortalecimento das negociações coletivas e combate à precarização do trabalho jornalístico. “A valorização do jornalismo passa também pela valorização dos jornalistas. Defender salários dignos, direitos trabalhistas e condições adequadas de trabalho é defender o direito da sociedade à informação de qualidade”, conclui Samira.
O que significa a remuneração média apresentada pelo Dieese?
A remuneração média utilizada nesta série corresponde a soma de todos os rendimentos dos jornalistas com vínculo formal de emprego, ou seja, profissionais contratados com carteira assinada e servidores públicos registrados na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), base de dados do Ministério do Trabalho e Emprego utilizada pelo Dieese.
Esse indicador representa a média da remuneração pagos pelos empregadores aos jornalistas com vínculo formal em determinado período e localidade.
É importante destacar que a remuneração média não corresponde ao piso salarial da categoria. O piso é o valor mínimo definido em convenções ou acordos coletivos de trabalho, podendo variar entre estados e segmentos de atuação. À medida que os jornalistas avançam na carreira, o salário tende a subir
Também não se trata da renda média dos jornalistas. A renda pode incluir outras fontes de receita, como trabalho como pessoa jurídica (PJ), prestação de serviços, atividades autônomas, docência, consultorias, produção de conteúdo, direitos autorais e outras formas de remuneração que não aparecem nos registros da RAIS.
Com informações da FENAJ
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