“Chorei como uma criança pequena porque não esperava. Foi uma surpresa!” Declarou a educomunicadora, Alma Montoya, ao falar sobre o Prêmio Destaque Internacional de Educomunicação, recebido durante o encerramento do XI Encontro de Educomunicação realizado em na cidade de Santarém, no Estado do Pará.
“Chorei como uma criança pequena porque não esperava; foi uma surpresa”, confessou Alma Montoya ao recordar o momento da homenagem. “Sabia que era um evento de investigadores e educomunicadores do Brasil, mas quando anunciaram que a nomeação contemplava uma experiência latino-americana, a alegria foi imensa. É um reconhecimento primeiro a Deus, mas também a toda a equipe e às comunidades com quem trabalhamos.”
Foi a primeira vez na história da edição, que a organização abriu espaço para um reconhecimento de âmbito internacional, premiando a educomunicadora que está a frente do trabalho de transformação social promovido pelo Grupo Comunicarte na América Latina.
A proposta do Prêmio Destaque Internacional da Educomunicação surge no contexto da internacionalização da práxis e teoria educomunicativa, que olha para além de seu território, com uma premiação destinada a reconhecer a particularidade da prática em outros países e continentes.
Uma Vida Dedicada à Educomunicação e aos Direitos Humanos
Alma Montoya Chavarriaga é comunicadora Social, especialista em Comunicação e desenvolvimento, gestão e desenvolvimento comunitário com ampla experiência no campo da formação radiofônica e educomunicação.
Em mais de três décadas de trabalho, Alma coordena o Grupo Comunicarte, uma organização que, desde a perspectiva da comunicação participativa, alternativa, democrática, e alterativa, está comprometida com a transformação da sociedade latino-americanas, buscando melhorar a qualidade de vida, dignidade e respeito aos direitos humanos.
Impulsionado por uma equipe de 15 profissionais — entre jornalistas, educadores e comunicadores —, conta com uma vasta rede de colaboradores que já passaram pela organização. A atuação do grupo estrutura-se em três eixos fundamentais: a linha comunitária, a linha educomunicativa e a vertente académica.
“Temos repórteres nos diferentes estados (na Colômbia chamam-se departamentos), por isso em cada departamento temos rádios comunitárias que transmitem o que se produz a nível nacional, mas também adaptam e transmitem na língua das comunidades locais. Os repórteres recebem visitas de formadores a partir de Bogotá, mas também temos um ou dois encontros por ano (um fixo no início do ano) para definir projeções e articulações, além de contarmos com a presença de profissionais convidados”, destacou.
No campo comunitário, a organização atua no apoio a populações vítimas do conflito armado e de deslocamento forçado na Colômbia, promovendo a cultura de paz, a convivência e a defesa dos direitos humanos. Paralelamente, o grupo desenvolve um papel crucial no combate às alterações climáticas, atuando na proteção das nascentes de água nos glaciares andinos e na preservação da floresta amazônica — frentes de trabalho nas quais já acumulam décadas de experiência no terreno.
A metodologia do grupo passa pela capacitação e articulação de repórteres e emissoras de rádio comunitárias distribuídas pelos vários departamentos do país. Estas rádios adaptam e traduzem os conteúdos informativos para as línguas e dialetos das comunidades locais, garantindo o acesso democratizado à informação sobre preservação ambiental e direitos sociais.
Superar a Barreira da Língua para Unir a América Latina
Durante a sua intervenção, Alma Montoya destacou a necessidade de estreitar laços entre o Brasil e os seus vizinhos hispânicos, especialmente nas regiões de tríplice fronteira amazônica. Embora a barreira linguística exija a presença de tradutores e colaboradores bilingues, a especialista defende que os desafios ambientais e sociais partilhados pela região superam qualquer fronteira do idioma.
O trabalho do Grupo Comunicarte inspira-se também no legado do professor brasileiro Ismar de Oliveira Soares, apontado por Montoya como a maior referência em educomunicação no continente e o grande impulsionador de uma visão integrada para a América Latina.
A Juventude como Farol de Esperança
Apesar de o encontro ter reunido principalmente acadêmicos, doutores e investigadores do setor, Alma Montoya manifestou-se entusiasmada com a forte presença de jovens participantes que estão assumindo a liderança no ecossistema educomunicacional.
“Somos um continente de esperança — esperança na biodiversidade e na vida que a Amazónia abriga, mas também na riqueza que estes jovens representam. A grande missão da educomunicação é incluir as novas gerações e fazer da comunicação uma verdadeira arte de ligação e afeto entre os povos”, concluiu.
Com o encerramento do XI Educom, Alma destacou que em Santarém, abriram-se novas perspetivas de cooperação técnica e formação conjunta entre a Rede de Notícias da Amazónia e as organizações sul-americanas, reforçando o papel da educomunicação como ferramenta viva de defesa da biodiversidade e dos direitos humanos na América Latina.
Por Joelma Viana (RNA Amazônia / Santarém – Pará)
Foto: Juliene Viana

