O ato de inauguração contou com a presença de representantes das nacionalidades indígenas da província de Pastaza, autoridades internacionais e membros da coordenação do FOSPA. Líderes e lideranças dos povos indígenas estenderam uma saudação fraterna a cada um dos irmãos e irmãs dos povos amazônicos que atenderam ao chamado e chegaram a Puyo para levantar suas vozes em defesa de seus povos e territórios. A realidade amazônica continua sendo uma preocupação para o mundo. O extrativismo avança e a deterioração das fontes de água exige uma intervenção séria que permita garantir as condições de vida das comunidades e contribuir para o equilíbrio climático.
Durante a abertura, Pedro Arrojo Agudo, relator especial das Nações Unidas sobre os direitos humanos à água potável e ao saneamento, dirigiu-se aos presentes no Pavilhão Esportivo de Puyo para apresentar alguns elementos do relatório que está sendo elaborado por seu escritório sobre a situação da água na Amazônia. “A rede hidrográfica amazônica, a maior do mundo, estrutura uma rede ecológica de vida que interconecta ecossistemas andinos, florestas tropicais, áreas úmidas e ecossistemas atlânticos. Dessa conectividade dependem a biodiversidade, os ciclos de reprodução de numerosas espécies, a segurança alimentar e a vida de milhões de pessoas, assim como os regimes de chuvas da própria Amazônia e de grande parte do continente”, afirmou Arrojo ao se referir ao relatório em elaboração.
A Igreja amazônica no FOSPA
A representação da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) durante o ato inaugural esteve a cargo de Dom Adalberto Jiménez, bispo do Vicariato Apostólico de Aguarico e presidente da REPAM Equador. Dom Jiménez levantou uma pergunta fundamental: O que acontecerá depois do FOSPA? Em sua intervenção, afirmou: “Estamos diante de um modelo extrativista de morte e, enquanto estamos aqui, em nossos territórios está a morte. Ontem percorremos o rio Puyo, mas eu venho de Aguarico, do Coca, e nenhum rio serve; estão contaminados com metais pesados, os líderes estão sendo criminalizados e ameaçados… Precisamos sair daqui cada um com um compromisso, por menor que seja. Não queremos mais documentos que sustentem a crítica mordaz do pó em uma estante, não queremos mais discursos. Precisamos cuidar dos territórios e percorrê-los”, destacou Dom Jiménez, fazendo eco à posição da REPAM.
A comissão da REPAM conta também com a presença de Ximena Lombana, secretária executiva da rede; da Ir. Ana María Palomino e de Carol Jeri, vice-presidentas da REPAM; assim como dos secretários dos comitês nacionais da Colômbia e do Equador. Além disso, o grupo foi fortalecido pela presença de lideranças de diferentes comunidades da Pan-Amazônia. A REPAM tem clareza de que o FOSPA é um espaço no qual as perspectivas e posições das lideranças amazônicas devem ter prioridade. Por isso, a participação e a representação da rede em cada uma das casas temáticas foram confiadas a homens e mulheres que mantêm processos de luta e defesa em suas comunidades.
Um relatório sobre a água
O encerramento da jornada teve um momento especialmente significativo. Pedro Arrojo, relator especial das Nações Unidas sobre os direitos humanos à água potável e ao saneamento, apresentou uma primeira versão do relatório que está sendo elaborado por seu escritório sobre a situação da água na Amazônia. O relator agradeceu à REPAM por impulsionar a elaboração desse relatório e destacou a Cúpula da Água, realizada em Iquitos, como um momento fundamental para a defesa da água na bacia amazônica e para dar visibilidade às vozes daqueles que habitam e defendem seus territórios. Durante a sessão, membros da REPAM, representantes de povos indígenas e de organizações governamentais e não governamentais dialogaram com o relator. O objetivo desse exercício de escuta é incorporar as diferentes perspectivas e experiências dos povos e organizações amazônicas à versão final do relatório.
Com Informações da Equipe de Comunicação da Repam
Foto: Repam

