Estudos apontam falhas nas estratégias de proteção da Amazônia: os esforços de conservação têm focado largamente na cobertura vegetal terrestre enquanto os ecossistemas aquáticos recebem pouca atenção, impactando diretamente as comunidades que dependem dos rios para viver. Diante desse contexto, iniciativas locais, como o projeto Águas do Tapajós, demonstram que o manejo comunitário da pesca é uma peça fundamental para a adaptação climática. O artigo “Soluções baseadas na natureza para a conservação da água doce e adaptação equitativa na bacia amazônica”, desenvolvido por cientistas da The Nature Conservancy (TNC) e publicado em uma revista científica identificou 76 projetos de adaptação climática mapeados na bacia amazônica, porém apenas quatro atenderam aos critérios de vincular a conservação da biodiversidade e o manejo baseado em ecossistemas à adaptação climática.
Essa coleta de dados no Pará mobilizou ativamente as comunidades locais, com a capacitação de jovens para atuar como monitores locais e a entrevista com cerca de 100 pescadores, fundamentando a revisão do Acordo de Pesca com o ICMBio. Recentemente a política pública de Acordos de Pesca do Pará, que conta com a TNC Brasil como parceira de implementação, recebeu o Prêmio de Serviço Público da ONU (2026). A premiação internacional atesta a eficácia do modelo de gestão participativa que insere as comunidades ribeirinhas na tomada de decisão sobre os recursos pesqueiros da Amazônia.
Saiba mais com Daniela Pantoja
Foto: Janailton Falcão / Amazonastur

