Uma apresentação cultural dos indígenas Panará marcou o início o “Seminário Pesquisa intercultural como ferramenta de proteção e conservação dos Territórios Indígenas” no auditório da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém, no Pará. A programação que iniciou nesta quinta-feira(19) e segue até o sábado apresenta os resultados do primeiro inventário de fauna e flora da Terra Indígena (TI) Panará. Pesquisadores acadêmicos e lideranças do povo Panará compartilharam os dados de uma cooperação pioneira que uniu a ciência ao saber ancestral para proteger o coração da Amazônia.

Enquanto cientistas de instituições como UFPA, Unicamp e Jardim Botânico do Rio de Janeiro, em parceria com a Conservação Internacional (CI-Brasil), entraram com ferramentas digitais, aplicativos de coleta e armadilhas fotográficas (câmeras traps), os jovens e anciãos Panará trouxeram a capacidade única de decifrar a floresta. Até o momento, o projeto registrou 14.823 animais de 602 espécies, sendo 27 ameaçadas de extinção, como: o macaco Zogue-zogue ou vulneráveis, a exemplo do Tatu canastra. Há também as espécies que eram desconhecidas dos Panarás, como a Maria-leque e a Perereca-de-vidro. A iniciativa permitiu rastrear espécies criticamente ameaçadas e monitorar a qualidade da água do rio Iriri, essencial para a sobrevivência dos indígenas da região, fortemente pressionada pelo avanço do garimpo ilegal e da agricultura industrial. Os resultados desse trabalho sendo apresentado no seminário.
Saiba mais com Daniela Pantoja
Foto: Conservação Internacional/Laryssa Gaynett

