Um levantamento conduzido pelo Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé), em parceria com o Distrito Sanitário Especial Indígena do Amapá e Norte do Pará (DSEI), analisou os níveis de exposição ao mercúrio em amostras de cabelo de pacientes indígenas da região, comprovando que o mercúrio proveniente de garimpos ilegais está contaminando povos indígenas do município de Oiapoque, no Amapá. O estudo atende a demanda das organizações indígenas do Oiapoque, no qual o levantamento coletou 192 amostras, e o resultado das análises detectou que metade dos indivíduos apresentou níveis de mercúrio elevados.

A contaminação do mercúrio não atinge somente os indígenas, mas também todas as pessoas que consomem peixes carnívoros da bacia amazônica. A análise dos dados revelou ainda que a exposição ao mercúrio tende a aumentar com a idade. A faixa etária entre 51 e 60 anos apresenta a maior proporção de indivíduos com níveis elevados de mercúrio (75%), enquanto a faixa de 10 a 20 anos registra a menor proporção, com apenas 7% dos indivíduos afetados. Isso se dá devido ao efeito cumulativo que a substância tem no corpo ao longo dos anos. Os resultados do levantamento no Oiapoque foram apresentados às comunidades durante a Assembleia da Assembleia da Associação das Mulheres Indígenas em Mutirão (AMIM).
Saiba mais com Daniela Pantoja
Fotos: Acervo Iepé

